tantas
maneiras
de nos
reconhecermos
sem nos
conhecermos



(Belgrado, maio 2026)
hvala
encontro-me, muitas vezes, num lugar
onde sinto que não sei que perguntas formular
as perguntas, para mim, nunca são o princípio
na verdade, costuma ser ao contrário
eu sei alguma coisa
algo que se insinua como uma espécie de certeza ou fundamento
uma fé – e é por isso que, só depois, me ponho em busca de provas
isto é,
no mundo céptico em que vivemos,
do seu aspeto visível e material
uma forma de mostrar o que eu sei
então
o ponto de partida, para mim
não é uma pergunta, é uma seta
a pergunta é, justamente, o alvo que a seta procura
e com sorte
encontra
também é por isso
que as respostas não me interessam
assim tanto